Barragens e barraginhas fortalecem segurança hídrica de Aracruz e ajudam produtores a enfrentar períodos de estiagem
Água guardada hoje é segurança para amanhã. Em um cenário de mudanças climáticas e maior preocupação com os períodos de estiagem, Aracruz vem ampliando as ações voltadas à conservação dos recursos hídricos e à criação de alternativas para garantir água no campo e na cidade.
Como parte desse trabalho, o município já conta com 74 barraginhas e 71 cochinhos, estruturas que ajudam a captar a água das chuvas, reduzir a velocidade das enxurradas e favorecer a infiltração no solo. A estratégia também inclui a construção de pequenas barragens rurais e investimentos em estruturas de maior porte, ampliando a capacidade de reservação e fortalecendo a segurança hídrica do município.
A preocupação ganha ainda mais relevância diante do cenário climático previsto para 2026 e 2027. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) confirmou a formação do El Niño e aponta alta probabilidade de permanência do fenômeno até o início de 2027, reforçando a importância do planejamento e da conservação da água.
Mas, afinal, o que é uma barraginha?
Para quem vive na cidade, o nome pode parecer estranho. A barraginha é uma pequena bacia escavada no terreno para receber parte da água que escorre pelo solo durante as chuvas. Em vez de permitir que a água escoe rapidamente, provocando erosão e carregando o solo, a estrutura ajuda a desacelerar o fluxo e favorece a infiltração.
O objetivo principal, portanto, não é simplesmente armazenar água na superfície, mas fazer com que parte da água da chuva permaneça no território, infiltre no solo e contribua para a recarga do lençol freático e das nascentes.
O projeto Barraginhas teve início em Aracruz em maio de 2021, com a implantação da primeira estrutura em uma propriedade rural da comunidade de Santa Maria. A iniciativa foi desenvolvida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), em parceria com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Aracruz (Saae), utilizando tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Visando ampliar a execução do projeto, a Semam adquiriu em 2021 uma retroescavadeira, por R$ 394,6 mil, que vem sendo utilizada desde então para a construção dessas estruturas, ampliando os pontos de infiltração de água no solo.
Mais segurança para quem produz
No campo, segurança hídrica significa também segurança para produzir. As barraginhas ajudam a reduzir processos erosivos, conservar o solo, melhorar a infiltração da água e favorecer a recarga do lençol freático. Os benefícios podem alcançar propriedades agrícolas, pastagens, hortas, pomares e criações de animais.
Como o funcionamento depende das características do solo, do volume das chuvas e das condições de cada propriedade, não existe um período único de duração da água associado à barraginha. Seu principal benefício está justamente na capacidade de reter a água no sistema e disponibilizá-la gradualmente ao ambiente.
A política municipal também avança na construção de estruturas de maior porte. Em 2025, a Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Pesca (Semap) iniciou um programa para construção de pequenas barragens rurais. Uma das estruturas entregues em Guaraná, na comunidade de Três Irmãos de Jequitibá, possui capacidade para armazenar mais de 30 mil metros cúbicos de água e beneficia atividades como produção agrícola, irrigação, criação de animais e piscicultura.
O planejamento municipal prevê ainda a construção de 70 pequenas barragens rurais entre 2026 e 2029, sendo 15 em 2026, 15 em 2027, 20 em 2028 e 20 em 2029.
Uma rede de segurança hídrica
As barraginhas integram uma estratégia maior de segurança hídrica em Aracruz. Em junho de 2026, o município inaugurou a Barragem do Piraquê-Açu, com investimento aproximado de R$ 31 milhões e capacidade para armazenar 1 milhão de metros cúbicos de água. A estrutura amplia a capacidade de enfrentamento de períodos de escassez e oferece maior segurança para atividades como irrigação e dessedentação de animais.
Enquanto as barragens de maior porte permitem armazenar grandes volumes de água, as barraginhas atuam principalmente na escala da propriedade e da microbacia, ajudando a controlar enxurradas e aumentar a infiltração da água no solo. É uma estratégia que combina infraestrutura, conservação ambiental e apoio ao produtor rural.
A segurança hídrica também depende da proteção das nascentes, da conservação do solo, da recuperação de áreas degradadas e do uso responsável dos recursos naturais.
Em 2025, o projeto “Barraginhas: um instrumento na recuperação do manguezal da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Municipal Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim” conquistou o primeiro lugar na categoria Meio Ambiente do 8º Prêmio de Sustentabilidade Farol do Bem.
Mais recentemente, Aracruz lançou o Projeto Águas da Vida, com a meta de recuperar 200 nascentes até 2028, ampliando as ações de proteção dos recursos hídricos.
“Cuidar da água é cuidar do futuro de Aracruz. E, diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, precisamos transformar prevenção em ação. As barraginhas são uma tecnologia simples, mas têm um papel estratégico: reduzem a força das enxurradas, combatem a erosão e fazem com que a água da chuva permaneça mais tempo no território, favorecendo a infiltração no solo e a recarga das nascentes. Aracruz está crescendo, se desenvolvendo e ampliando sua capacidade de produção. E esse desenvolvimento precisa caminhar lado a lado com a preservação dos nossos recursos naturais. Por isso, investir em conservação do solo, recuperação de nascentes e segurança hídrica é investir na sustentabilidade do município e na qualidade de vida das próximas gerações. É esse olhar de futuro que tem orientado o trabalho da nossa cidade: desenvolver, produzir e crescer, sem abrir mão da responsabilidade de preservar”, disse o secretário de Meio Ambiente, Aladim Cerqueira.
Para o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Pesca, Almir Vianna, a política de reservação representa mais tranquilidade para quem vive e produz no campo. “Segurança hídrica é também segurança para quem produz. Quando a gente constrói uma pequena barragem ou implanta uma barraginha, não estamos apenas pensando na água de hoje. Estamos criando condições para que o produtor tenha mais tranquilidade para planejar, produzir e enfrentar os períodos de estiagem. A nossa responsabilidade é preparar a cidade para o futuro. E isso significa investir em reservação de água, apoiar o produtor rural e, ao mesmo tempo, incentivar o uso responsável dos recursos naturais. A agricultura precisa de água para produzir, para manter os animais e para garantir renda às famílias. Por isso, cada nova estrutura de reservação representa mais um passo para um campo mais forte, mais preparado e mais resiliente. É assim que estamos trabalhando: antecipando os desafios e fazendo investimentos que protejam o produtor e fortaleçam a agricultura do nosso município”, comentou.
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