Um estudo panorâmico do Piraquê-Açu sinaliza que o rio necessita de proteção
Na visão de pesquisadores, manter o rio Piraquê-Açu preservado é um desafio crucial para o futuro de Aracruz. Além de um grandioso reservatório hídrico, os ecossistemas adjacentes do rio são ainda fontes de sustento para centenas de famílias ribeiras, além de berçário da vida marinha, que se reproduz em meio às raízes emaranhadas dos manguezais que contornam boa parte do curso d’água.
Dados apresentados durante um seminário de culminância da Expedição Piraquê-Açu revelam que o rio, embora degradado após uma histórica chuva de granizo que devastou parte do manguezal, dentre outras questões, ainda se mantém saudável. A boa notícia chega com um alerta: tanto o poder público, quanto empresas e sociedade civil devem se organizar para que se conduza uma gestão que garanta a proteção do manancial, na medida que atividades comerciais, industriais e turísticas impulsionam o desenvolvimento econômico da cidade.
“Precisamos ter a humildade de reconhecer que somos apenas mais um na imensa teia da vida. Não vivemos em um mundo de recursos inesgotáveis. Nós humanos não conseguiríamos viver sem os demais seres vivos, como as plantas que nos dão o que comer e dos meios físicos, de onde retiramos recursos que mantém a civilização”. Essa reflexão foi feita pelo engenheiro florestal José Carlos Carvalho, nesta quinta-feira (25), durante o seminário.
Já o professor associado da Universidade Federal do Espírito Santo, Gilberto Fonseca Barroso, responsável por apresentar os resultados coletados na pesquisa, sinalizou os rumos para o trabalho que, de acordo com ele, deve ser conduzido de forma a preservar o rio Piraquê-Açu. “O desenvolvimento econômico não vai para frente sem a proteção da natureza”, frisou ele.
Representantes de grandes empresas da cidade, como a Suzano, Portocel e Imetame, além de autoridades do legislativo municipal, o secretariado da Prefeitura de Aracruz, moradores, lideranças de associações e alunos, acompanharam o ciclo de palestras e a mesa redonda de debate. Além do prefeito de Aracruz, Dr. Coutinho, que fez a fala de abertura, gestores de outras cidades cortadas pelo rio também participaram do seminário.
“Com esse papel de gerar informações essenciais para as futuras ações em prol da preservação do rio e dos manguezais, podemos convertê-las em ações de proteção, além daquelas já executadas pela secretaria de meio ambiente, em parceria com diversos órgãos e instituições que atuam pautadas no desenvolvimento sustentável”, disse Dr. Coutinho.
A Expedição Piraquê-Açu foi filmada em junho deste ano e se tornou uma série de três episódios. As pessoas que vivem no entorno do rio, fauna e flora que resistem às mudanças climáticas, e as ameaças ao rio, como o despejo de esgoto que ocorre em um dos trechos da bacia em outro município, estão registradas e podem ser utilizadas, inclusive, como material educativo. Da nascente em Santa Teresa, à foz em Santa Cruz, foram aproximadamente 70 quilômetros percorridos com objetivo de analisar a água e os ecossistemas, registrar paisagens, contextos e riscos que envolvem um dos rios mais importantes do norte do Estado.
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