Hemodiálise: Saúde amplia serviço, beneficia 24 pacientes e acaba com os deslocamentos
Às 3h30 da manhã, Eliete Barros Fraga já estava no trajeto dentro de um carro a caminho da sua hemodiálise. Moradora do Vila Santi, em Aracruz, ela precisava sair de casa ainda de madrugada para chegar a Linhares. Foram um ano e um mês seguindo essa rotina, três vezes por semana, convivendo não apenas com as exigências de um tratamento contínuo, mas também com o desgaste de precisar percorrer quilômetros para ter acesso a ele. Agora, essa história começa a mudar.
A Secretaria Municipal de Saúde ampliou o serviço de Hemodiálise, a partir desta segunda-feira (14), com a disponibilização de quatro novas cadeiras, que permitirão atender 24 pacientes do município que atualmente realizam o tratamento na Grande Vitória ou em Linhares. Com a ampliação, esses pacientes poderão ser transferidos para atendimento no próprio município, conforme os critérios e o fluxo estabelecidos pela regulação estadual.
Para Eliete, a primeira paciente aracruzense a fazer uso dessa nova estrutura, a mudança representa mais do que deixar de viajar para outro município. “Eu entendia toda a parte burocrática e sabia que existiam etapas que precisavam ser cumpridas. Mas nunca perdi a esperança de conseguir fazer o tratamento aqui. A hemodiálise é um tratamento invasivo e desgastante. Eu saía de casa às 3h30 da manhã e sempre quis estar aqui. Hoje começo o tratamento em Aracruz e isso representa muito para mim, pois, após quatro horas, em poucos minutos estarei dentro da minha casa”, conta.
Ela também faz questão de destacar a importância do acolhimento para quem passa por esse tipo de tratamento. “A gente que faz hemodiálise precisa ter esse olhar mais apurado, mais acolhedor. Eu tenho uma qualidade de vida muito boa e quero agradecer a todos pela empatia. Para nós, esse cuidado faz diferença”, afirma. Eliete passou pela Central de Regulação do Estado e iniciou seu procedimento em uma das novas cadeiras.
A hemodiálise é um tratamento que passa a fazer parte da vida do paciente. São horas dedicadas a cada sessão e uma rotina que exige acompanhamento médico, disciplina e adaptação. Quando o tratamento acontece em outra cidade, a jornada começa ainda antes de chegar à clínica. É justamente nesse ponto que a ampliação do serviço no Centro de Hemodiálise, localizado no bairro Guaxindiba, ganha relevância.
Além das horas do procedimento, cerca de quatro horas, o paciente que precisava viajar enfrentava o tempo de deslocamento, a organização do transporte e o afastamento temporário de sua casa e de sua família. Com as novas cadeiras, 24 pacientes que hoje fazem o tratamento fora de Aracruz poderão ter o atendimento transferido para o município, acabando com esse deslocamento.
A mudança, porém, segue um processo técnico. A transferência dos pacientes é realizada por meio da Central Estadual de Regulação, que mantém uma lista de solicitações e estabelece as prioridades de acordo com critérios definidos pela própria regulação, como o tempo de espera e a condição clínica.
Por isso, não é o município que determina qual paciente será transferido primeiro. Aracruz disponibiliza a estrutura e recebe os pacientes conforme a organização e a autorização da regulação estadual.
Para que a ampliação se tornasse realidade, a Prefeitura de Aracruz precisou cumprir uma série de requisitos técnicos e passar por diferentes etapas junto à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e ao Ministério da Saúde. Foram necessárias adequações e o cumprimento das exigências estabelecidas para que o município pudesse ampliar sua capacidade de atendimento em Hemodiálise.
O médico nefrologista e responsável técnico pelo serviço, Leandro Spadette, explica a importância da ampliação sob a perspectiva assistencial. “A hemodiálise é um tratamento contínuo, que exige uma estrutura adequada, profissionais capacitados e acompanhamento especializado. A ampliação da capacidade permite que os pacientes sejam atendidos dentro dos critérios técnicos e assistenciais necessários. Para o paciente, ter o tratamento mais próximo de casa também é importante porque reduz o desgaste provocado pelos deslocamentos e facilita a rotina de acompanhamento. É uma melhoria que tem impacto direto na assistência e na qualidade de vida”, explica.
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Rosiane Scarpatt, a ampliação traduz uma das prioridades do trabalho desenvolvido pela pasta: fortalecer a rede e aproximar os serviços da população. “Quando falamos da ampliação da hemodiálise, estamos falando de pessoas que enfrentam uma rotina muito exigente. Por isso, cada etapa para que esse serviço pudesse crescer foi importante. Foram requisitos técnicos, processos e muito trabalho junto aos órgãos responsáveis até chegarmos a esse momento. Saber que um paciente que precisava sair de casa de madrugada para fazer seu tratamento em outra cidade poderá fazer isso aqui, em Aracruz, mostra o sentido de todo esse esforço. É uma conquista da nossa Saúde e, principalmente, uma conquista para os pacientes e suas famílias”, afirma.
O prefeito em exercício, Beto Vieira, destaca que a ampliação fortalece a rede municipal e representa uma mudança concreta na vida dos pacientes. “Essa é uma melhoria que chega diretamente à rotina das pessoas e nos enche de orgulho. Para quem precisa fazer hemodiálise, ter o tratamento em seu próprio município significa menos tempo na estrada, menos desgaste e mais proximidade com a família. A ampliação desse serviço mostra que Aracruz está fortalecendo sua rede de Saúde e criando condições para atender melhor a população. É um avanço importante e que tem um significado muito especial porque estamos falando de cuidar das pessoas dentro da própria cidade onde elas vivem”, ressalta.
Para Eliete, que durante mais de um ano precisou deixar Aracruz ainda de madrugada para fazer o tratamento em Linhares, a mudança já tem um significado muito concreto. Ela continuará enfrentando a rotina da hemodiálise. Continuará precisando de força, disciplina e acompanhamento. Mas, a partir de agora, o caminho até o tratamento será muito mais curto. E, para quem vive essa realidade, isso também é cuidado.
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