5ª Formação do Programa Saúde na Escola trabalha a prevenção ao uso de álcool, tabaco, crack e outras drogas e seus impactos na saúde mental

Publicado em: 01 de julho de 2026
Texto: Renato Lana de Faria
Imagem: Divulgação/Semed
5ª Formação do Programa Saúde na Escola trabalha a prevenção ao uso de álcool, tabaco, crack e outras drogas e seus impactos na saúde mental

A Prefeitura de Aracruz, por meio das secretarias municipais de Desenvolvimento Social (Semds), de Educação (Semed), e de Saúde (Semsa), promoveu na manhã desta terça-feira (30), no Auditório do Complexo de Saúde de Aracruz (CSA), bairro Jequitibá, a 5ª Formação do Programa Saúde na Escola (PSE) em 2026. O evento, destinado a professores, diretores escolares, profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS), Conselho Tutelar, Centro de Referência da Assistência Social (Cras) e equipe PAS, debateu a prevenção ao uso de álcool, tabaco, crack e outras drogas e seus impactos na saúde mental.

As palestras foram mediadas em dois momentos, sendo o primeiro com os militares do 5º Batalhão de Polícia Militar (5BPM), os cabos Mártin Vesfál Kelbert e Jennifher Vieira, que são instrutores do Proerd, e o segundo, com o médico Dr. Luan Moro. Os militares apresentaram um histórico do Proerd e seus objetivos nas escolas da Rede Municipal de Ensino, já o médico psiquiatra trabalhou o ecossistema de cuidado: prevenção, saúde mental e a rede de Aracruz.

Os cabos Mártin Vesfál Kelbert e Jennifher Vieira mostraram que o Proerd foi criado em 1983 pelo Departamento de Polícia de Los Angeles (EUA)sendo que atualmente ele está presente em 58 países. Já no Brasil as atividades se iniciaram em 1992 e em Aracruz no ano de 2003. Em nossas escolas nós trabalhamos com dez lições, para posteriormente organizarmos as formaturas. Nosso objetivo é adequar as necessidades dos estudantes, trazendo suas famílias para que elas possam entender a importância de se falar certos assuntos com seus filhos, além de trazermos autoridades para darem seus depoimentos. Precisamos desses apoios, porque sem isso ficaria muito difícil tratar esses temas junto às crianças e adolescentes”, disse o Cabo Kelbert.

Os militares também mostraram a evolução do currículo, que devido a estudos ocorridos nas décadas de 1990 e 2000, houve questionamentos quanto à eficácia da primeira geração do programa. Sendo assim, a DARE America desenvolveu um novo currículo, frequentemente baseado no programa "keepin' it REAL".

Com relação às redações que cada aluno elabora em suas atividades, é solicitado uma produção de texto onde cada um escreve o que aprendeu nas aulas. “No dia da formatura nós selecionamos uma redação por turma, onde os destaques são homenageados. Também fazemos a entrega de certificados de participação, camisas padronizadas e premiações aos escolhidos da melhor redação”, explicou Kelbert.

Nos atendimentos do programa, há uma previsão que a cada semestre os instrutores do 5º Batalhão consigam atingir de oito à 15 escolas nos municípios de Aracruz, Fundão, Ibiraçu e João Neiva sendo, com cerca de 700 estudantes que participam de palestras e rodas de conversa voltadas ao público adolescente. Mais do que apenas prevenir o uso de drogas e da violência, nossa ação visa fortalecer o relacionamento entre a polícia e a comunidade, além de capacitar os jovens a controlar impulsos, lidar com riscos e tomarem decisões seguras e responsáveis. Nós também orientamos diretores, professores e coordenadores em situações adversas nas escolas”, completou Kelbert.

Mudando o paradigma no uso de álcool e outras drogas na adolescência
O médico Dr. Luan Moro debateu o ‘ecossistema de cuidado: prevenção, saúde mental e a rede de Aracruz’, mostrando como é preciso mudar o paradigma no uso de álcool e outras drogas na adolescência. Segundo ele, não existe adolescente que queira usar drogas, e sim aquele que procura aliviar alguma dor.

Como forma de ilustrar isso, ele mostrou um desenho de um iceberg, cuja ponta está relacionada ao uso das drogas, e abaixo, os sentimentos que levam ao consumo, como o sofrimento emocional e ansiedade, depressão e baixa autoestima, violência e negligência em casa, dentre outros. “A droga não cria problemas, ela anestesia um problema que já existe. O segredo da gestão da droga, não é a questão de querer usar drogas, pois se estamos bem e gozando de plena felicidade, não precisamos disso. Ou seja, temos que oferecer proteção ao indivíduo, e não ficar focando somente nas drogas o tempo todo, porque se apagarmos as luzes de todo o percurso do adolescente, a gente só enxerga a matéria final, sendo que muitas vezes nos tornamos propagadores por falarmos mal de um aluno dentro da própria escola. Temos que tomar muito cuidado com isso”, pontuou.

Dr. Luan destacou a biologia do estresse tóxico e as experiências adversas na infância, detalhando o funcionamento do cérebro humano, que permanece em ‘obras’ até os 25 anos, ou seja, período este em que ele ainda se encontra em construção. O público também conheceu o mapa das substâncias, com detalhes do que realmente ameaça os jovens, como o álcool, considerada a droga que mais mata, o vape e tabaco, com cargas altíssimas de nicotina, a maconha e a piora da memória e queda escolar, e a cocaína e crack.

“Quando a gente fala das questões das drogas, o adolescente tende a entrar em paranoia, ficando muitas vezes desesperado, justamente porque seu cérebro ainda está em construção, e são nesses momentos que temos o risco da ideação do suicídio, surto psicótico, intoxicação e agressividade, por exemplo, e nesses casos, o paciente precisa ser encaminhado para a UPA, porque pode acontecer alguma alteração mais letal”, explicou.

Para que os presentes pudessem aprender sobre como identificar esses sinais, ele mostrou o ‘radar de sinais: lendo os pedidos de socorro invisíveis’, que são os traços que mostram quando o adolescente está precisando de ajuda, como mudança brusca de comportamento, queda no rendimento escolar, isolamento e mentiras frequentes, sono alterado e perda de peso, roubo de dinheiro em casa, entre outros.

De acordo com o Dr. Luan, o ambiente pesa tanto quanto a biologia, ou seja, há os chamados multiplicadores de risco, como os traumas, sofrimento mental, uso de drogas, ideação e risco de suicídio, sendo a escola aquela que funciona comum escudo protetor, mostrando como se deve reagir diante da suspeita. Para isso ele explicou como funciona a engrenagem de Aracruz e seu fluxo de cuidado integrado, como a escola-direção-acionamento do Estratégia Saúde da Família (ESF) – avaliação – Centro de Atenção Psicossocial (Caps)/Centro de Referência de Assistência Social (Cras)/Conselho Tutelar.

“O ideal era a gente poder tratar cada caso sem internação, aqui dentro de nossa comunidade, acionando o Caps, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), por exemplo. Não são as cartilhas, suspensões ou punições que vão salvar vidas. O maior fator de proteção para um cérebro em sofrimento é o vínculo, pois um adulto que escuta e que pode interromper o círculo do trauma, às vezes um professor, um conselheiro e médico conseguem salvar uma vida. As drogas são consequências. O foco é tratar a dor, mostrando as questões que estão por trás do consumo, porque o que se refere aos tratamentos, conceitos, já são conhecidos. Por isso, precisamos ter um pouco mais de empatia, para quando olharmos para um adolescente, podermos falar que pode estar havendo uma negligência parental e bullying, o que acaba levando ao consumo e aos transtornos. Vamos investir na educação de nossas crianças, desde seus pais”, finalizou. 

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