Orientações para o atendimento de estudantes com seletividade alimentar no âmbito do PNAE e obesidade infantil ganham destaque na 6ª Formação do Programa Saúde na Escola (PSE)
Aconteceu na manhã desta terça-feira (28), no Auditório do Complexo de Saúde de Aracruz (CSA), bairro Jequitibá, a 6ª Formação do Programa Saúde na Escola (PSE) em 2026. Na ocasião, profissionais de escolas, das Unidades Básicas de Saúde (UBS), Conselho Tutelar, Centro de Referência da Assistência Social (Cras) e equipe PAS, foram instruídos quanto ao atendimento de estudantes com seletividade alimentar no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e à obesidade infantil.
Os assuntos em questão foram apresentados pelas nutricionistas Kethilen Monique de Oliveira Santana (Semed) e Thays Bitencourt (Atenção Secundária), respectivamente. As orientações passadas por Kethilen tiveram foco no Transtorno do Espectro Autista (TEA), em outros transtornos do neurodesenvolvimento e nas demais Necessidades Alimentares Específicas (NAE). Como forma de contextualizar seu tema, ela mostrou que desde de 2020 houve um aumento das demandas relacionadas ao atendimento de estudantes com seletividade alimentar no âmbito do PNAE.
Desde então, a Coordenação de Segurança Alimentar e Nutricional (COSAN/CGPAE/FNDE) vem desenvolvendo pesquisas e oficinas de escuta entre as nutricionistas do PNAE familiares e estudantes, cenário este que reforçou a urgência de alinhamento técnico para assegurar que o atendimento prestado esteja em consonância com o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA), além dos princípios da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), o que garante que estes estudantes não sejam excluídos da alimentação escolar e tenham seu cuidado assegurado de forma qualificada.
“Essa nota técnica é importante, visto que temos muitas dúvidas sobre esse assunto. Pude mostrar qual o caminho devemos seguir e apresentei orientações. Com o aumento de casos de crianças seletivas, tivemos que fazer um estudo sobre esse assunto, com alinhamento técnico, em concordância com as diretrizes do PNAE e o direito humano à alimentação adequada”, explicou Kethilen.
Ainda de acordo com a nutricionista, a ‘seletividade alimentar’ é o nome dado a um padrão de alimentação no qual o repertório de alimentos aceitos pela criança ou adolescente é reduzido, com recusa persistente de novos alimentos (“neofobia alimentar”), preferência marcada por determinados sabores, texturas ou temperaturas, e aversão a grupos alimentares inteiros. “Isso afeta todo o corpo da criança, levando a adversidades como o cansaço, fraqueza, a baixa imunidade, crescimento lento e desenvolvimento prejudicado, por isso, uma alimentação equilibrada é fundamental para o fornecimento adequado de energia, imunidade, crescimento saudável e qualidade de vida”, afirmou.
O público ainda pôde conhecer estratégias que favorecem a aceitação do aluno à alimentação escolar, com pictogramas, cronogramas visuais, prancha de escolha, fotos reais das refeições, jogos alimentares e exploração tátil e olfativa, além do correto ambiente, que não deve ter excesso de ruído, iluminação intensa, nem muitas pessoas. “Algumas escolas até liberam as crianças primeiro para o intervalo para que elas consigam ter seu momento para fazer a refeição mais tranquila. Também temos que comemorar as evoluções se a criança consegue tocar, cheirar e lamber o alimento, por exemplo. Temos que considerar quaisquer um desses sinais como uma evolução, o que mostra que os nossos esforços estão dando resultado”, completou.
A obesidade infantil
A nutricionista Thays Bitencourt mostrou que a obesidade infantil já é considerada um problema de saúde mundial, quadro este que antes prevalecia a desnutrição. Este sobrepeso vem com o acúmulo excessivo de gordura corporal em crianças e adolescentes, que muitas vezes são influenciadas por uma má alimentação, sedentarismo e até mesmo a genética. Na má alimentação as crianças e adolescentes consomem com frequência ultraprocessados, que são ricos em açúcar e gorduras.
“Hoje falamos sobre a obesidade infantil, que é considerado um problema de saúde pública tanto nacional, quanto mundial. Devido a esta crescente mudança de quadro, que antes prevalecia a desnutrição, hoje o sobrepeso/obesidade já ultrapassa esse quadro em todo mundo, o que traz um risco muito grande à saúde, visto que haverá um aumento de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e hepáticas, e alguns tipos de câncer”, enfatizou.
Segundo Thays, essas doenças podem se perpetuar por toda fase da vida, por isso, a necessidade de se debater essa questão, conscientizando as pessoas. “Essas doenças podem atingir a pessoa até em sua fase adulta, perpetuando em todas as fases da vida, por isso a importância de trabalharmos essa questão de uma forma intersetorial, com a saúde, educação e as famílias, para assim, podermos conscientizar, prevenir e frear essa crescente de sobrepeso e obesidade na infância e adolescência”, afirmou.
Questões como falta de movimento, sedentarismo, excesso de tempo em frente a telas e hábitos compartilhados em casa contribuem ainda mais para o agravo deste quadro, trazendo consequências como problemas físicos diabetes tipo 2, pressão alta e colesterol elevado, além da baixa autoestima, ansiedade e tristeza. “Temos que trabalhar a prevenção e os hábitos em família, oferecendo frutas, legumes e refeições frescas, dando o exemplo com uma rotina ativa. Também é muito importante que passamos a ter um acompanhamento de um profissional, com consultas e orientações para apoio adequado de forma leve e saudável”, completou.
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