8ª Formação do PSE destaca a Saúde Sexual e Reprodutiva

Publicado em: 29 de setembro de 2026
Texto: Renato Lana de Faria
Imagem: Renato
8ª Formação do PSE destaca a Saúde Sexual e Reprodutiva

A Prefeitura de Aracruz, por meio das secretarias de Desenvolvimento Social (Semds), Educação (Semed) e Saúde (Semsa), promoveu na manhã desta terça-feira (29), no Auditório do Complexo de Saúde de Aracruz (CSA), bairro Jequitibá, a 8ª Formação do Programa Saúde na Escola (PSE). A ação, que foi destinada a pedagogos, diretores escolares, além de profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS´s), Conselho Tutelar, Centro de Referência da Assistência Social (Cras) e equipe PAS, destacou Saúde Sexual e Reprodutiva.

Ministraram as palestras as enfermeiras Sabrina do Nascimento, Gerente da Saúde Materno Infantil (Semsa) e Lívia Roni Pignaton, da Vigilância Epidemiológica (Semsa). Sabrina falou sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST´s) e a Gravidez na Adolescência e Contracepção, passando importantes informações, assim como a prevenção e cuidado com a saúde sexual e reprodutiva.

Ela iniciou sua apresentação mostrando como as pessoas devem abordar essa temática sem cair em polêmicas, ou seja, como fazer o uso de uma linguagem clara, adequada e sem tabus, e criando espaços de diálogo e escuta, valorizando a diversidade, o respeito e o cuidado, e claro, envolvendo a família no processo educativo. “Nosso principal objetivo aqui hoje é mostrar que a sexualidade faz parte do desenvolvimento humano, ou seja, é algo que vai acontecer, e as informações irão ajudar nas escolas conscientes e corretas para estes adolescentes. A prevenção é algo que envolve cuidados, respeito e consentimento. Quando levamos essas informações, estamos munindo os jovens sobre o que é que deve ser seguido”, pontuou.

Segundo Sabrina, o SUS também oferece orientações, prevenção, testagem e tratamento, sendo uma unidade que dá esse primeiro contato e acolhimento, sem nenhum tipo de julgamento, pré julgamento ou barreiras. Sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis, estas podem ser causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos, sendo que algumas são assintomáticas, podendo ser transmitidas por relações sexuais e, em algumas situações, por sangue ou da gestante para o bebê.

Com relação aos tipos de IST´s, foram destacados o HIV, que sem tratamento, pode levar à Aids, a Sífilis, que é bacteriana e pode apresentar diferentes fases, porém tem tratamento e cura, sendo transmitida durante a gestação, e cujo diagnóstico e tratamento precoces reduzem o risco de complicações; o HPV, que é uma das mais comuns, sendo que alguns tipos podem causar verrugas, enquanto outros estão relacionados ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer; gonorreia; herpes genital; hepatites B e C; dentre outros. “Uma pessoa pode ter uma IST e não saber, por isso temos que fazer a testagem quando indicada e procurar uma unidade de saúde. Podemos nos prevenir com preservativos externo ou interno, vacinação, especialmente HPV (9 a 14 anos) e hepatite B, além da testagem”, explicou.

Sobre a gravidez precoce, foi mostrado que em setembro de 2026, em Aracruz foram registrados 48 gestantes adolescentes, o que é um número considerado elevado. Finalizando, a enfermeira da Saúde Materno Infantil apresentou os mitos e verdades sobre como prevenir uma gravidez e os métodos contraceptivos que existem no SUS. “Trabalhar sexualidade e saúde na escola é promover respeito, cuidado e autonomia, fortalecendo o desenvolvimento integral dos estudantes e preparando-os para relações saudáveis ao longo da vida”, completou.

Casos notificados em Aracruz
Em sua palestra, a enfermeira da Vigilância Epidemiológica Lívia Roni Pignaton, detalhou por meio de gráficos, os casos notificados em Aracruz de 2020 a 2026, relacionados ao HIV, às gestantes com HIV, de sífilis adquirida, de gestantes com sífilis, de sífilis congênita e hepatites virais. “Trouxe dados gerais das principais IST´s em nosso município, sendo que nem todas as vezes esses dados são de notificações compulsórias, e sem especificar as idades. Quando temos transmissão de doenças, isso acaba afetando a população de uma forma geral, por isso trouxe informações sem segmentação por idade, mas dá pra termos uma noção. E só para reforçar, quanto mais testagem a gente faz, mais casos a gente tem, mesmo porque muitas pessoas não se cuidam”, disse.

Em 2020, que foi um ano bem silencioso, por causa da pandemia, houve 21 notificações de HIV, o que é um número bem alto. Já em 2021 esse número caiu para 11 casos, em 2022, 29 casos; 2023 (24); 2024 (16); 2024 (16); 2025 (25), e até setembro deste ano, 10 casos. “São sempre diagnósticos novos, por isso temos que lembrar da importância de não ter medo de testar, porque hoje em dia há inúmeras possibilidades de tratamento, porém, infelizmente, ainda descobrimos casos de jovens dentro do hospital, o que é inaceitável, porque hoje já temos medicações muito mais eficazes”, chamou a atenção.

Um outro número que chamou a atenção foi o de sífilis adquirida no ano de 2023, com 123 casos notificados e a de gestantes com sífilis em 2025, com 70 casos. “Quando olhamos para 2023, não necessariamente quando temos muitas sífilis adquirida, tenho muitos casos na gestação. Às vezes, quando pegamos muitos casos e tratamos, evitamos que a gestante tenha”, falou.

Programa Dignidade Menstrual
Após as palestras, a psicóloga Juliana Monteiro apresentou o ‘Programa Dignidade Menstrual’, uma iniciativa do Governo Federal que garante absorventes higiênicos gratuitos para pessoas em situação de vulnerabilidade social, por meio do Programa Farmácia Popular do Brasil. Ela mostrou como é prático para a pessoa que não consegue ter acesso a esse bem, adquiri-lo.

Basta acessar o aplicativo ‘Meu SUS Digital’, fazer o login, entrar utilizando sua conta Gov.br, procurar o programa na tela inicial, selecionar ‘Programa Dignidade Menstrual’ e emitir a autorização. E caso a pessoa tenha direito ao benefício, ela deve clicar em ‘Emitir autorização’, que ficará disponível no aplicativo com validade de seis meses, para depois ir a uma farmácia popular mais próxima com documento oficial com foto, CPF e a autorização emitida pelo Meu SUS Digital.

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