Ensino da Matemática por meio cultura africana fortalece práticas pedagógicas para a educação das Relações Étnico-Raciais

Publicado em: 03 de setembro de 2026
Texto: Renato Lana de Faria
Imagem: Divulgação/Semed
Ensino da Matemática por meio cultura africana fortalece práticas pedagógicas para a educação das Relações Étnico-Raciais

Aconteceu na tarde desta terça-feira (1), na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Eurípedes Nunes Loureiro, bairro Itaputera, uma formação para o corpo docente sobre o jogo africano Kalah, fomentando a valorização da cultura africana ao ensino da matemática e fortalecendo as práticas pedagógicas para a Educação das Relações Étnico-Raciais. O momento foi mediado pela coordenadora das ações da PNEERQ do município de Aracruz, Daniela Reis de Jesus Rossoni, que trabalhou esse jogo de matriz africana, como recurso para promover aprendizagens significativas e fortalecer a Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER).

A formação integra as ações de implementação da Lei nº 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira na educação básica, em diálogo com as diretrizes da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).

Durante o encontro, os professores conheceram a história e a origem do Kalah e vivenciaram o jogo, compreendendo suas possibilidades enquanto ferramenta pedagógica. “Nossa proposta parte do princípio de que trabalhar com jogos de matriz africana no ambiente escolar também significa valorizar conhecimentos, culturas e saberes de origem africana, ampliando a presença da temática das relações étnico-raciais no cotidiano da escola”, falou Daniela.

Do jogo à Matemática
Além de aprender as regras e experimentar o Kalah, os professores participaram de uma oficina que apresentou possibilidades de adaptação do jogo para o ensino da Matemática. A proposta utiliza o tabuleiro e as sementes como recursos concretos para desenvolver habilidades relacionadas ao cálculo mental e à resolução de problemas, explorando operações de adição, subtração e multiplicação.

“O material de nossa oficina propõe, por exemplo, que os estudantes calculem a quantidade inicial de sementes do tabuleiro a partir da multiplicação de 12 covas por 4 sementes, chegando ao total de 48 sementes. As próprias jogadas também são transformadas em situações de aprendizagem. Ao movimentar as sementes, os estudantes podem registrar e analisar as quantidades antes e depois de cada jogada, relacionando a experiência concreta às operações matemáticas”, explicou Daniela.

Durante a oficina ainda foram contempladas situações-problema envolvendo captura de sementes, trabalhando estratégias de adição e subtração. A multiplicação aparece igualmente em desafios relacionados à quantidade de sementes distribuídas nas covas e às jogadas realizadas durante a partida.

Ancestralidade, currículo e aprendizagem
De acordo com a coordenadora das ações da PNEERQ, essa proposta demonstrou que a Educação para as Relações Étnico-Raciais pode estar presente de maneira integrada ao currículo, ultrapassando ações pontuais e possibilitando que diferentes componentes curriculares dialoguem com a história e a cultura africana e afro-brasileira.

“Nesse contexto, o Kalah torna-se uma ferramenta que articula ancestralidade, cultura, ludicidade e aprendizagem, possibilitando aos professores ampliar seu repertório metodológico e desenvolver práticas pedagógicas que valorizem a diversidade e contribuam para uma educação antirracista. Mais do que aprender um jogo, a formação propôs aos educadores uma reflexão sobre quais conhecimentos chegam à escola, como são apresentados e de que maneira podem contribuir para uma educação que reconheça, valorize e respeite a diversidade cultural e racial”, explicou.

Vivência de um momento significativo
A diretora Bianca Tristão Pereira vivenciou de perto essa prática pedagógica em sua escola, o que segundo ela foi um momento muito significativo e enriquecedor. “Tivemos o privilégio de conhecer um pouco mais sobre os jogos africanos Mancala e Kalah, descobrindo possibilidades de trabalhar a Matemática de maneira lúdica, significativa e contextualizada com nossos estudantes. Foi um momento de descoberta, despertamento e reflexão, que nos mostrou como podemos ampliar nossas práticas pedagógicas, promovendo não apenas a aprendizagem matemática, mas também a equidade social e o respeito à diversidade cultural”, ressaltou.

Ainda de acordo com Bianca, todos puderam aprender, refletir, ressignificar e, acima de tudo, perceber que ensinar também é abrir caminhos para que nossos estudantes conheçam, valorizem e respeitem diferentes histórias, culturas e saberes.

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