Professores de escolas indígenas participam da formação "Povos Originários: guardiões dos saberes ancestrais e da sustentabilidade do planeta"

Publicado em: 28 de setembro de 2026
Texto: Renato Lana de Faria
Imagem: Renato
Professores de escolas indígenas participam da formação "Povos Originários: guardiões dos saberes ancestrais e da sustentabilidade do planeta"

Aconteceu na manhã deste sábado (26), na Cabana Central da Aldeia Pau-brasil, a formação "Povos Originários: guardiões dos saberes ancestrais e da sustentabilidade do planeta". O evento, que foi promovido pela Secretaria de Relações Étnico-Raciais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), em parceria com as secretarias municipais e estadual de educação, também reuniu lideranças e juventudes indígenas com o objetivo de reafirmar o papel dos povos originários na preservação do planeta, na defesa da diversidade e da democracia do Brasil.

Compuseram a mesa de honra os caciques Valdeir Almeida (Pau-brasil) e Jonas do Rosário (Areal), a professora Dra. Patrícia Rufino (Ufes), Christovam Mendonça e Gean Carlos Nunes (CNTE), representando a Direção Executiva do Sindiupes. Já a mesa de palestrantes contou com grandes referências do debate educacional, acadêmico e indígena, como o Professor Dr. Antônio Carlos Seizer da Silva, indígena Terena, que é docente de Licenciatura e Pedagogia Intercultural Indígena na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (Ufms), a Professora Mestra Andreia Cristina Almeida, educadora Tupinikim da Emefi Ybyrapytanga, e o Professor Wellington Îybatãtupã de Lima Ferreira, educador indígena da Aldeia Pau-brasil, formado pelo Programa de Formação de Professores Indígenas (Prolind).

O evento se iniciou com uma bela programação cultural dos jovens guerreiros indígenas, que por meio de seus cantos, trouxeram para o centro da formação a vivência, a arte e a força da nova geração originária. Também houve uma vivência coletiva de fortalecimento, energia e celebração com o educador Wellington Îybatãtupã. “Essas manifestações artísticas ajudaram a reafirmar a continuidade de nossas tradições, a resistência da cultura Tupinikim e o papel da juventude como guardiã viva do território e dos saberes ancestrais”, destacou a liderança da Juventude Indígena local, Alice Araraporang.

Para a Educadora Tupinikim da Emefi Ybyrapytanga Andreia Cristina, a formação foi de grande importância para os professores indígenas que atuam na Rede Municipal de Ensino, principalmente por envolver questões relacionadas à proteção do planeta. “Esta ação acerta fundamentalmente ao trazer esse debate para o centro da agenda educacional. Integrar o saber indígena ao currículo não é apenas cumprir leis, é um compromisso dos educadores com os saberes ancestrais, o território e a diversidade”, afirmou.

Protagonismo
De acordo com o Sindiupes, a realização de um evento desse porte em um território de resistência, como a Aldeia Pau-brasil, vem para reforçar o protagonismo da entidade na defesa de uma escola plural e inclusiva, apoiando e promovendo iniciativas que fortalecem a voz dos povos originários e conectam os saberes da terra à luta por um futuro mais digno para todos.

"Este encontro na Aldeia Pau-brasil é um ato de afirmação política e resgate ancestral. O Sindiupes cumpre um papel histórico ao trazer a formação para dentro do território originário, fortalecendo a luta por uma escola plural e por um Brasil soberano”, completou Salomé de Sá, Diretora Executiva da Secretaria de Relações Étnico-Raciais do Sindiupes.  

Compartilhe essa notícia: