Estudantes de escolas indígenas participam da tradicional peneira de futebol de Irajá
Aconteceu na manhã deste sábado (8), no Campo de Futebol de Irajá, a tradicional peneira de futebol que seleciona estudantes indígenas para poderem jogar em algum clube do Brasil e até mesmo do exterior. Na ocasião, esta peneira, que foi a primeira de 2026, contou com as presenças de olheiros da BNC Academy e do Esporte Clube Bahia. O evento é realizado pelo técnico Fabrício Tupinikim e seu filho João Carlos, em parceria com as escolinhas de futebol Palmeirinha, da aldeia de Irajá, e Esporte Clube Caieiras Velha Aracruz (E.C.C.A).
A BCN Academy, ou BCN Intercâmbio Esportivo, é uma entidade que promove avaliações técnicas e clínicas de futebol com observadores e professores parceiros para selecionar atletas de categorias de base, com foco em torneios internacionais na Espanha, como a Copa MICFootball e a Girona Cup. Na ocasião, mais de 120 crianças e adolescentes, a maioria estudantes de escolas indígenas, estiveram em campo no evento, que contou com grande presença de familiares e amigos que foram torcer para os pequenos.
E sob o olhar atento dos observadores da BNC Academy e do Esporte Clube Bahia, os futuros jogadores de futebol profissional disputavam cada canto do campo para ganhar a bola. A diretora da Escola Municipal Pluridocente Indígena (EMP) Irajá, Sabrina da Silva Lemos, destacou a importância da prática esportiva na formação de cada criança. “Como diretora de uma escola indígena Tupinikim acredito que o esporte contribui muito para a formação das nossas crianças. Além de promover saúde, disciplina, respeito e união, ele também fortalece nossa identidade e o sentimento de pertencimento ao nosso povo”, ressaltou.
Ainda de acordo com Sabrina, é por meio do esporte que as crianças valorizam suas raízes, sua cultura, seu território e os saberes dos nossos ancestrais. “Investir no esporte é também fortalecer nossa cultura e formar crianças que tenham orgulho de ser indígena. Nosso papel, enquanto escola, é incentivar essas crianças a acreditarem no próprio potencial, sempre valorizando sua cultura, sua identidade e suas raízes”, completou.
A peneira trabalha com crianças e adolescentes de 9 a 17 anos, nas categorias Sub 9, 11, 13, 15 e 17. Segundo o técnico Fabrício Tupinikim, essa parceria com as escolas é feita da melhor maneira possível. “A escola é um dos quatro pilares do nosso projeto, que também conta com a família, a comunidade e as escolinhas de futebol. Por isso, pedimos aos nossos atletas que deem o melhor na escola, com disciplina, boas notas e frequência. É isso que cobro deles para poderem trabalhar com a gente, e essa parceria é de mão dupla, pois ela vai e volta. Queremos o melhor para essas crianças e adolescentes”, destacou.
A diretora da Emefi Caieiras Velha, Cristina Fraga Pajehu, lembrou que o sucesso que cada aluno venha a ter na prática esportiva, começa dentro da escola. “Para que nossos pequenos possam se destacar nas práticas esportivas, nós também trabalhamos a história e a cultura do nosso povo, desta forma, eles não têm vergonha de dizerem que são indígenas, e como são cobrados para terem um bom desempenho nos estudos, isso os ajudam a terem mais disciplina, o que reflete no respeito entre eles quando vão disputar um torneio de futebol”, explicou.
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