Violência digital é tema da 2ª Formação da Equipe Psicossocial (PAS) em 2026

Publicado em: 07 de outubro de 2026
Texto: Renato Lana de Faria
Imagem: Semed
Violência digital é tema da 2ª Formação da Equipe Psicossocial (PAS) em 2026

O Auditório do Polo UAB, Centro, recebeu na manhã desta quarta-feira (7), a 2ª Formação da Equipe Psicossocial (PAS) da Secretaria de Educação da Prefeitura de Aracruz em 2026. O evento trouxe como tema a Violência Digital e os problemas que as telas e seus conteúdos trazem às crianças e adolescentes. O assunto foi mediado pela psicóloga Thaís Batista, que iniciou sua apresentação mostrando um caso fictício, mas que ilustra bem a realidade dos tempos atuais.

Trata-se da história de Enzo, uma criança que demonstra pouco interesse nas atividades escolares e que não gosta de estudar, além de sentir muito sono e dormir na sala de aula às vezes. Ele é tido como um aluno que fala pouco e que não se relaciona direito com as outras crianças, e quando conversa, é só sobre jogos. Quando a escola conversou com a família, descobriu que ele usa bastante o celular e passa a noite jogando no computador. A família também disse que tentou proibir, mas ele não se interessou por mais nada, e quando saia, era apenas para ir na casa dos primos, porque sabe que lá também poderá jogar no computador.

Tal passagem reflete o chamado comportamento digital de crianças e adolescentes. De acordo com dados apresentados, no ano passado, 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos eram usuários recentes de internet, sendo que 70% jogaram online e outros 33% jogavam online mais de uma vez por dia. De acordo com Thaís, a questão não é mais apenas sobre o tempo de tela, e sim e mais importante do que isso, é quanto tempo ela permanece diante da tela e o que acontece durante esse tempo.

"A Academia Americana de Pediatria considera os seguintes pontos para essa análise: Tempo + Conteúdo + Contexto + Interação + Impacto. Esse ambiente digital atrai a criança e o adolescente muito facilmente porque cria a sensação de pertencimento, reconhecimento, além, é claro, de promover diversão, curiosidade, amizade, identidade, e consequentemente, a possibilidade de se expressar, dando a sensação de autonomia, aprovação e informação", explicou.

Como a criança está em processo de desenvolvimento de uma série de habilidades, como a autorregulação, o controle de seus impulsos, a capacidade de avaliar consequências, fomentar habilidades socioemocionais, criando autonomia, identidade e capacidade crítica, ela pode ter habilidade para usar uma tecnologia sem necessariamente ter maturidade para lidar com tudo aquilo que essa tecnologia permite.

O Impacto da vida online na saúde mental
A equipe PAS pôde conhecer o primeiro nível de prejuízo que se dá com o consumo excessivo das telas. “Temos que considerar o caráter multifatorial do adoecimento emocional, porém, precisamos compreender que a tecnologia e as redes sociais ocupam um papel que nunca ocuparam antes na vida das pessoas, estando estreitamente interligados com todos os aspectos da vida cotidiana, inclusive o adoecimento”, disse Thaís.

E como exemplo desses impactos na saúde mental, temos a comparação social, com uns se colocando acima de outros por serem de famílias mais ricas, a busca por aprovação e por números de curtidas/seguidores, assim como a aparência e padrões de beleza e o medo de ficar de fora (FOMO), o que gera a necessidade de sempre estarem conectados, expondo muitas vezes intimidades, comentários e julgamentos, o que gera o chamado ‘Cyberbullying’.

A formação também abordou outros tópicos de extrema importância como a alteração da Lei nº 15.487/2026 e o que mudou para a atuação das equipes psicossociais nas escolas e do Eca digital, que ganhou muita importância nos últimos meses no combate à violência digital; o ‘algorítimo e engenharia social das redes’, que utilizam quaisquer dados de acesso para tentar prever o que tem maior chance de prender a atenção e, a partir disso, organizar o que aparece no feed do usuário; o impacto no desenvolvimento infantil, que sem as brincadeiras, movimento, interação com outras pessoas, exploração do ambiente, sono adequado e experiências concretas, traz prejuízos ao sono, à busca por atividade física, dificuldades de atenção e autorregulação e menos oportunidades de interação e desenvolvimento da linguagem.

"O nosso papel enquanto equipe psicossocial não é investigar, e sim, acolher, proteger, avaliar necessidades, evitar a revitimização, articular a rede, acompanhar e informar as demais equipes escolares. Nossa atuação deve estar articulada ao sistema de garantia de direitos, e a escola, esta deve sempre escutar o necessário para acolher, proteger e encaminhar aos órgãos competentes aquilo que precisa ser investigado”, completou.

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