Pescadores de Lajinha agora têm Associação para desenvolvimento da comunidade
Há uma semana a comunidade ribeirinha de Lajinha, que fica no manguezal de Aracruz, passou a ter representação jurídica. Abreviada como APESCAL, a Associação Comunitária dos Pescadores e Catadores de Caranguejo de Lajinha agora é uma entidade representativa com CNPJ, pré-requisito para alcançar os projetos públicos que incentivam o desenvolvimento da comunidade, auxiliam na preservação do mangue e garantem a perpetuação dos recursos naturais.
O coordenador de Pesca e Aquicultura de Aracruz, Márcio Américo, explicou que a fundação de uma associação comunitária é essencial para suprir a necessidade do aumento de produção nas atividades de cultivo de ostras, mexilhões, robalos e tilápias de água salgada. “O desenvolvimento dessa comunidade dependia dessa iniciativa, porque o volume dos cultivos está aumentando e é preciso agregar valor a esses produtos que são de primeira qualidade. Com essa representação jurídica, a comunidade ganha reconhecimento e poderá participar de editais para projetos de desenvolvimento local de agricultura familiar, pesca e aquicultura, por exemplo”, justificou Américo, já pensando em futuros programas para beneficiamento de mariscos. O coordenador lembrou ainda que a preservação do manguezal vai ficar mais fácil. “Os pescadores de Lajinha fazem a sua parte não pescando nos períodos de defeso, mas pessoas de outros municípios vêm e infringem a lei ambiental. Com a APESCAL, os próprios integrantes da comunidade poderão ser autorizados a ajudar os fiscais do meio ambiente a proteger o local de onde retiram o sustento”.
A localidade de Lajinha fica próxima a Santa Rosa, entre os rios Piraquê-açu e Piraquê-mirim, e os moradores integram uma comunidade conhecida como pescadores, catadores e marisqueiros. Juceli Conceição dos Santos (44) é um dos que vivem de recursos retirados do manguezal e revelou-se satisfeito com a ideia de uma associação de pescadores. “Esse é mais um sonho dessa gente, que eu vi ser realizado. Há um bom tempo o cultivo nos tanques-rede complementa a renda da pesca e nos ajuda a viver do mangue com dignidade e com qualidade de vida. Eu sou pescador desde que me entendo por gente e nunca vi tanto investimento na minha comunidade como nos últimos anos. Agora a gente vai arrumar o lugar para construir a sede da APESCAL e aí é só correr atrás dos projetos”, animou o pescador, que anunciou uma novidade, o cultivo de 130 "longlines" de sururu (que são cordas onde 150 sementes de mariscos são coladas em cada uma) retirados do próprio Piraquê-açu e que já vingaram nas gaiolas da cultura.
BATEU NA REDE, É RENDA:
Há um ano, a Secretaria de Agricultura de Aracruz (SEMAG) deu o peixe e ainda ensinou a cultivar. Hoje, os projetos experimentais que trabalham o cultivo em tanques-rede demonstraram sucesso e integram renda para a comunidade ribeirinha do Piraquê-açu, que já sabe caminhar com as próprias pernas. Tilápias de água salgada, robalos, ostras e agora mexilhões só precisam de um acompanhamento periódico com os profissionais da SEMAG e já renderam boas remessas.
A manutenção dos peixes requer um pouco mais de cuidado, para sustentar a população aquática com espaço suficiente para nadar e requer gasto com ração, mas vale a pena pelo valor final. Quanto aos mariscos, a manutenção é quase zero, já que os moluscos retiram o alimento filtrando a água do rio. Com implantação de projetos para beneficiamento dos produtos, o resultado do cultivo leva dinheiro para a comunidade de Lajinha e mantém a população no local de origem, com sustentabilidade.
INFORMAÇÕES À IMPRENSA: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Aracruz - Rodrigo Bernardo - Tel: (27) 3296-4507 - E-mail: comunicacao@pma.es.gov.br / rodrigovincit@yahoo.com.br
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