Saúde apresenta a robô Maria Lis, nova aliada nas terapias de crianças da rede municipal

Publicado em: 11 de setembro de 2026
Texto: Thiago de Barros
Imagem: Comunicação/Thiago de Barros
Saúde apresenta a robô Maria Lis, nova aliada nas terapias de crianças da rede municipal

Curiosidade, sorrisos, olhares atentos, emoção e, principalmente, a sensação de que algo novo estava começando. Foi assim que crianças, familiares e servidores receberam, nesta sexta-feira (11), no Complexo de Saúde (CSA), a robô terapêutica Maria Lis, nova aliada das equipes que atuam no atendimento especializado da rede municipal de saúde.

Desenvolvida por pesquisadores do Laboratório de Robótica e Tecnologia Assistiva da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a tecnologia passa a ser utilizada como ferramenta complementar nas terapias oferecidas pelo município. Aracruz é o segundo município do Espírito Santo a incorporar a robô aos serviços de saúde, aproximando a inovação produzida dentro da universidade da realidade das crianças atendidas pela rede pública.

O encontro reuniu crianças atendidas pelo Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), pelo Serviço Especializado em Reabilitação Intelectual e Transtornos do Espectro Autista (Serdia), familiares e servidores da Secretaria Municipal de Saúde. Mais do que apresentar uma nova tecnologia, a atividade criou um momento de encontro, acolhimento e celebração.

A robô não chegou como um equipamento distante, apresentado apenas de forma técnica. Ela chegou já tendo uma história construída com as próprias crianças. Antes mesmo de ser apresentada oficialmente, elas participaram da escolha de seu nome, em uma enquete realizada entre os usuários do Capsi. “Maria Lis” foi escolhida por mais de 60% dos participantes.

A chegada da Maria Lis coloca Aracruz em um grupo ainda restrito de municípios capixabas que incorporaram a tecnologia desenvolvida pela Ufes à rede pública de atendimento. Apenas Vitória possui a robô.

Mais do que trazer uma novidade tecnológica, a iniciativa representa a aproximação entre ciência, inovação e política pública, transformando uma pesquisa desenvolvida no Espírito Santo em uma ferramenta que poderá fazer parte da rotina de crianças atendidas pelo município.

A Maria Lis utiliza jogos e atividades interativas que podem auxiliar os profissionais em exercícios relacionados à comunicação, memória e coordenação motora. A tecnologia será utilizada no CAPSi e no Serdia de acordo com os objetivos terapêuticos definidos pelas equipes.

Durante o encontro, porém, ficou evidente que a novidade representa muito mais do que um novo recurso tecnológico. Para os profissionais, é uma ferramenta que amplia as possibilidades de trabalho. Para as famílias, uma nova oportunidade. Para as crianças, pode ser simplesmente algo novo que desperta curiosidade, e é justamente nessa curiosidade que podem surgir novas formas de interação, aprendizagem e desenvolvimento.

A mãe da pequena Isabela, atendida pelo CAPSi, Tamires Guastti, participou do momento e destacou a importância de iniciativas que enxergam as crianças para além do diagnóstico. “Para a gente, que acompanha cada etapa, cada pequena evolução da nossa filha tem um significado enorme. Quando chega uma novidade como essa, a gente não pensa só na tecnologia. Pensa nas possibilidades que ela pode trazer para a criança, na forma como pode despertar o interesse, estimular uma interação e tornar aquele momento da terapia ainda mais prazeroso. Ver as crianças participando, conhecendo e se envolvendo com a Maria Lis é muito emocionante. É bonito perceber que existem pessoas pensando em novas formas de ajudar nossos filhos a avançarem, cada um no seu tempo e do seu jeito.”

“Quando pensamos na chegada da Maria Lis, pensamos primeiro nas crianças. A tecnologia é importante, mas o que realmente dá sentido a ela é aquilo que pode proporcionar dentro de um atendimento, dentro de uma relação de cuidado e dentro da história de cada família”, destacou a secretária municipal de Saúde, Rosiane Scarpatt.

Segundo ela, o momento também simboliza uma forma diferente de pensar a saúde pública. “Hoje não estamos apenas apresentando uma nova ferramenta. Estamos celebrando uma conquista para a nossa rede e, principalmente, para as nossas crianças. A Maria Lis chega para somar ao trabalho de profissionais que já dedicam todos os dias seu conhecimento, sua escuta e seu carinho aos nossos pacientes. E existe algo muito bonito nessa história: as próprias crianças ajudaram a escolher o nome dela. Isso mostra que o cuidado também acontece quando ouvimos, envolvemos e damos espaço para que elas participem. Queremos uma saúde que acompanhe a ciência e incorpore novas tecnologias, mas que nunca perca aquilo que é essencial: o olhar para a pessoa, para sua história, para sua família e para suas potencialidades.”

O prefeito em exercício, Beto Vieira, também participou do momento e ressaltou que investir em inovação na saúde significa, acima de tudo, investir em pessoas. “Uma tecnologia como essa só tem verdadeiro valor quando consegue chegar à vida das pessoas e criar novas oportunidades. Hoje, quando olhamos para essas crianças, para suas famílias e para os profissionais que estão aqui, entendemos que inovação não é apenas falar de tecnologia. É falar de cuidado, de desenvolvimento e de novas possibilidades. Aracruz ser o segundo município capixaba a receber essa tecnologia mostra que estamos atentos ao que a ciência e a inovação podem oferecer para melhorar os serviços públicos. Mas, acima de tudo, mostra que queremos transformar conhecimento em benefício concreto para a população. O mais importante é lembrar que, por trás de tudo isso, existem crianças, mães, pais, famílias e profissionais que todos os dias acreditam que é possível avançar. E, quando uma nova ferramenta ajuda nesse caminho, ela passa a ter um valor que vai muito além da tecnologia.”

A Maria Lis chega para somar ao cuidado já realizado pelas equipes do CAPSi e do Serdia, ampliando os recursos disponíveis durante os atendimentos e permitindo novas formas de interação com as crianças. A partir de hoje, uma nova história no cuidado com as crianças atípicas começa a ser escrita, afinal, cada pequeno avanço pode ser uma grande conquista.

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